• 26 nov

    Sou um admirador confesso dos produtos Google. Daí falar da Google é sempre suspeito. Talvez eu a esteja defendendo. Talvez não. Fato é que o ser humano tem o (péssimo?) hábito de criticar quem está no topo. Talvez seja um mal necessário, não sei. Todo mundo fala mal da Rede Globo, todo mundo fala mal da revista Veja, todo mundo fala mal dos Estados Unidos, todo mundo fala mal da Coca-Cola e assim por diante. Vai ver estar no topo incomoda.

    Até ontem todo mundo falava mal da Microsoft. Hoje todo mundo fala mal da Google. Amanhã todo mundo falará mal de alguma outra grande e inovadora empresa, a bola da vez. E assim sucessivamente por todo o sempre, amém.

    Os fins justificam os meios mais rasteiros? Que atire a primeira pedra quem nunca se esqueceu, mesmo que momentaneamente, dos princípios de certo e errado que nos foram ensinados. Estratégias agressivas eu tenho. Você tem. Qualquer um que tenha objetivos vai lançar mão das artimanhas que estiverem ao seu alcance, sejam estas corretas ou não, afinal, com o perdão do trocadilho, somos “seresumanos”. Simples assim. Não que isso seja uma virtude, mas não irei entrar nos méritos e deméritos da natureza humana. Ainda mais quando se trata de grandes corporações que só pensam em lucrar. Ou alguém aqui não está interessado em lucro? Liberaria os seus códigos pra não ganhar nada com isso? Trabalharia de graça? Abriria uma empresa filantrópica? Talvez se você for um “linuxiano”, até faça. Eu, com certeza, iria querer lucrar a qualquer custo. Bem, acontece que a Google e a Microsoft não são empresas filantrópicas e pra quem não sabia, surpresa! Elas não são tão diferentes assim.

    E se não fosse a Google? Estaríamos nós enfim livres das poderosas organizações e seus planos mirabolantes de dominação do mundo? Não, claro que não. Se não fosse a Google, seria outra empresa toda poderosa que também dominaria o mundo. A menos que eu ou você fizesse isso. Mas aí também seriamos chamados de dominadores do mundo e cairíamos no mesmo circulo vicioso de sempre. Inevitável.

    Só me espanta que ainda fiquem surpresos com o plano secreto (!?) de dominação arquitetado pela Google. Ora, isso esteve explícito desde sempre.
    Privacidade? Mito. A Google, a Microsoft, o Yahoo e aquele hackerzinho lá da “Conchinchina”, que mandou um presentinho de grego pra você, sabem o que você fez no verão passado. E o que vai fazer no próximo? Exceto se você construir um abrigo anti-bomba no quintal da sua casa e se trancar lá dentro. Sem conexão a internet, claro.

    zérodrigues

    Zé Rodrigues - 4o SI

    Com a detenção de todos os seus rastros na internet, o mínimo que a Google pode fazer, é mostrar uma propaganda no seu Gmail daquele sexshop que você acessou na noite passada. O máximo? Com certeza aquele objeto que você comprou não será motivo de uma manchete sensacionalista. Não tenha medo. Eles irão sim, entupir toda a sua navegação de propagandas que você “quer ver”, baseado no seu histórico de acessos. Até aí nada muito sinistro, convenhamos. Como diria meu professor de Filosofia Renato Artur Guimarães “conhecer, pra dominar” dispensa comentários.

    Há mais de mil olhos em cada esquina, vivemos na era do Big Brother gostemos ou não. Aonde quer que eu vá, há sempre um grande olho que tudo vê a me observar. Sorria, você está sendo filmado. Você está sendo controlado.
    Bem vindo à vida real (ou virtual, dependendo da perspectiva) e ao show!

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    Postado por () ?> @ 16:31

2 Respostas

WP_Cloudy
  • André Batera Diz:

    Depois do lançamento do Google Dashboard e do Street View, passei a ter o mesmo ponto de vista, haha! A Google está realmente monitorando todas as nossas atividades! Por um lado é favorável, visto que ela irá oferecer mais conteúdo baseado no interesse do internauta. Por outro, cuidado… você está sendo filmado! =D

  • Leandro Diz:

    Devo admitir que vivemos em uma época niilista em que o pós-modernismo invade as nossas mentes dizendo que somos felizes apenas se alcançarmos o tão sonhado lucro de cada dia. Esta condição pós-moderna também invade nossa existência dizendo: “não, nada que você faça vai mudar o curso da humanidade! Você é uma simples marionete do sistema, aceite isso”. Não serei hipócrita dizendo que sou altruísta ou filantropo, aliás, não acredito que isso exista, tais condutas nada mais são que contrários de uma mesma moeda neoliberal. Também não sou ingênuo o bastante para ser messiânico, e ver alguma luz no fim do túnel. No entanto, não posso me abdicar de ser um sujeito histórico e cidadão. Não posso ser conivente com o controle de nossas vidas pelas tais coorporações e empresas que citou, simplesmente estão desrespeitando o contrato social que fizemos. Isso é quebra de contrato, e as consequências são visíveis: violência, pobreza, corrupção, crimes, manipulação, destruição do meio ambiente, enfim, o caos social em que vivemos e que assombra o nosso cotidiano de maneira eficiente. De fato, o texto está bem elaborado e nos faz refletir, mas devo acrescentar que é reflexo de uma parcialidade ideológica que devemos tomar cuidado, pois pior que cameras nos filmando somos nós deixando que ideias se internalizem e nos manipulem de dentro.

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